30 de dezembro de 2008

Trabalho...

Todos temos de trabalhar para garantir o nosso sustento, todos estamos de acordo. Mas uns passam por mais ou menos dificuldades para o fazer, é a lei da vida. Mas será certo haver tanta disparidade. Veja-se o que se passa em muitos dos países africanos, da Ásia e até mesmo na Europa e comparemos com a vida de alguns ilustres habitantes do planeta, tal como o Sr. Abramovich ou a menina Paris Hilton, ou muitos outros. Será mesmo necessário haver esta diferença, pessoas que mal conseguem arranjar o que comer a partilhar o mesmo planeta com outras que têm prazer em esbanjar... Algo vai mal e não é só no reino da Dinamarca (peço desculpa ao Sr. Shakespeare pelo abuso).  

Mas a grande dúvida reside no que aconteceria se quiséssemos equilibrar as coisas, distribuindo a riqueza de uma forma mais equitativa. Será que nós teríamos de prescindir de muitos dos nossos confortos, ou será que os manteríamos? É certo que o a minha noção conforto não é certamente a mesma da de um habitante do Malawi, mas, em teoria, o que aconteceria? Pode-se até especular quais os efeitos colaterais que tal acarretaria. Será que conseguiríamos acabar com os conflitos que existem? Será que conseguiríamos tirar melhor partido daquilo que este Planeta nos dá? Se calhar, mas também me parece que esta miha ideia romântica de partilha e igualdade esbarra na natureza humana, ou pleo menos na de alguns humanos...

Mais uma meditação para vos inquietar...

Resolução de Ano Novo


Parece que mais um ano se aproxima do fim, dando lugar a um novinho em folha... É verdade, ainda é das poucas coisas que podemos dizer que temos em primeira mão. E atenção que não é um ano qualquer, é o de 2009. Nunca antes na história da humanidade alguém teve a oportunidade de celebrar o nascimento do ano 2009 (D.C. para os mais rigorosos e de acordo com o calendário gregoriano)!  E estou em condições de afiançar, creio ser de fonte segura, que mais ninguém poderá voltar a celebrar tal efeméride. É certo que não será um daqueles artigos exclusivos, visto que vai ser partilhado por cerca de 7 Biliões de pessoas... No entanto tem tudo para ser um ano em grande. 

Bem, é melhor também não esperar muito... Na realidade é bem capaz de vir a ser um ano bem difícil, com a crise a querer bater recordes, cada dia mais empresas a fecham as portas, ouvimos relatos diários de mais despedimentos, de mais esquemas fraudulentos que são detectados aumentando a desconfiança no sistema económico mundial... 

Ora, vistas bem as coisas não estou a ver bem o motivo para tanta ânsia em celebrar a passagem de ano. Até a Terra decidiu abrandar a sua velocidade de rotação, talvez para tentar fazer um balanço da situação antes de mergulhar num ano novo. Se calhar era o que devíamos fazer, fechar para balanço! Isso sim era uma boa ideia, paramos uns mesitos, dois ou três, e depois estabelecíamos um conjunto de medidas para endireitar este globo. Bem vistas as coisas, era dar um novo significado à expressão "resolução de Ano Novo". 

Deixo esta reflexão para todos nós. Perdemos muito em querer fazer, quando devíamos parar mais vezes para pensar, apreciar e meditar.

27 de janeiro de 2008

IKEA - GAIA: mais um atropelo ao ambiente e aos direitos dos cidadãos

Se ainda não sabem, aqui fica a notícia: o IKEA vai abrir um armazém em Vila Nova de Gaia, na urbanização da Barrosa, que para quem não conhece fica ao lado do Gaiashopping, nos terrenos da antiga exploração mineira do Fojo. O empreendimento implicará a revisão do PDM e da rede viária, de modo a viabilizar o investimento. Mas nesse local irá nascer, também, uma unidade de saúde e uma unidade comercial de apoio a esta. Esta é sem dúvida mais uma grande vitória para o presente executivo camarário, que demostra mais uma vez uma grande capacidade de atracção de investimento para o município, confirmando que Vila Nova de Gaia continua a ser um local apetecível para os grandes investidores.
Porém este investimento não ficará isento de polémica. Isto porque, ainda agora começaram as negociações entre a Câmara de Gaia e o IKEA e o processo já começa a ficar marcado por alguma polémica. Tudo se resume da seguintes forma: O terreno onde o IKEA pretende construir a sua loja não tem um COS (coeficiente de ocupação do solo) suficiente para a área de implantação da mesma, pelo que foi comprado um terreno vizinho, o qual está definido em PDM como terreno não edificável, de modo a garantir que o COS global é cumprido.
Este terreno foi adquirido por uma empresa sediada em Gaia à um ano e meio e que o irá vender ao IKEA. Agora que se aproxima a data de início das obras de construção esta empresa está a proceder ao desmate do terreno, tendo abatido árvores protegidas - sobreiros - e de algumas árvores que servem de protecção a uma linha de água que ali existe e de abrigo a inúmeras espécies de aves, nomeadamente melros, pardais e uma coruja. Note-se que este terreno faz parte de uma urbanização de moradias (numa das quais vivem os meus pais e irmão) e de prédios, que até à data era um dos poucos locais no centro da cidade em que se vivia com alguma qualidade de vida, visto que estas árvores constituem um autêntico pulmão verde, para além de servirem isolamento acústico, protegendo as habitações do ruído da auto-estrada e das restantes vias circundantes. Como podem ver, é um pouco estranho, senão mesmo ridículo, que se abatam
estas árvores, visto que naquele terreno nada pode ser construído, para além do que estamos a "derrubar" a qualidade de vida de quem ali vive, visto que estas ávores serviriam de protecção natural do mais que provável movimento frenético de viaturas no futuro espaço comercial. Esta situação é de todo intolerável, ainda mais quando o país se tem comprometido com as metas do protocolo de Kyoto. DEVEMOS PROTEGER O MEIO AMBIENTE E A QUALIDADE DE VIDA DAS POPULAÇÕES E NÃO DERRUBÁ-LAS, TENDO COMO PRETEXTO UM BOM NEGÓCIO!
Mas o caricato da situação é que o Sr. Presidente da Junta de Freguesia de Vilar do Paraíso tinha um projecto de construção de um equipamento público para este terreno, que incluía a requalificação da linha de água e a criação de um jardim, apresentado aos Vilarenses em assembleia de Freguesia... Sim, é isso mesmo que estão a pensar, o Sr. Presidente tinha um projecto para um terreno que não pertence à Junta! E quando confrontado com o Dono do terreno ficou sem palavras, situação testemunhada por diversos moradores (eu incluído), atestando a incompetência deste nosso representante. Apenas a presença da GNR permitiu embargar o abate, de modo a clarificar a situação, se bem que a promessa do Dono do terreno é a de que o abate irá proseguir, pois "dentro de casa dele ele faz o que lhe apetece"...
Tudo isto é revoltante, na medida em que os interesses aqui em jogo são conciliáveis, no entanto os interesses económicos são sempre mais importantes do que qualquer outro... Por outro lado, o movimento popular que se criou não irá parar de pressionar o poder político, de modo a garantir que os nossos direitos não são atropelados.