27 de janeiro de 2008

IKEA - GAIA: mais um atropelo ao ambiente e aos direitos dos cidadãos

Se ainda não sabem, aqui fica a notícia: o IKEA vai abrir um armazém em Vila Nova de Gaia, na urbanização da Barrosa, que para quem não conhece fica ao lado do Gaiashopping, nos terrenos da antiga exploração mineira do Fojo. O empreendimento implicará a revisão do PDM e da rede viária, de modo a viabilizar o investimento. Mas nesse local irá nascer, também, uma unidade de saúde e uma unidade comercial de apoio a esta. Esta é sem dúvida mais uma grande vitória para o presente executivo camarário, que demostra mais uma vez uma grande capacidade de atracção de investimento para o município, confirmando que Vila Nova de Gaia continua a ser um local apetecível para os grandes investidores.
Porém este investimento não ficará isento de polémica. Isto porque, ainda agora começaram as negociações entre a Câmara de Gaia e o IKEA e o processo já começa a ficar marcado por alguma polémica. Tudo se resume da seguintes forma: O terreno onde o IKEA pretende construir a sua loja não tem um COS (coeficiente de ocupação do solo) suficiente para a área de implantação da mesma, pelo que foi comprado um terreno vizinho, o qual está definido em PDM como terreno não edificável, de modo a garantir que o COS global é cumprido.
Este terreno foi adquirido por uma empresa sediada em Gaia à um ano e meio e que o irá vender ao IKEA. Agora que se aproxima a data de início das obras de construção esta empresa está a proceder ao desmate do terreno, tendo abatido árvores protegidas - sobreiros - e de algumas árvores que servem de protecção a uma linha de água que ali existe e de abrigo a inúmeras espécies de aves, nomeadamente melros, pardais e uma coruja. Note-se que este terreno faz parte de uma urbanização de moradias (numa das quais vivem os meus pais e irmão) e de prédios, que até à data era um dos poucos locais no centro da cidade em que se vivia com alguma qualidade de vida, visto que estas árvores constituem um autêntico pulmão verde, para além de servirem isolamento acústico, protegendo as habitações do ruído da auto-estrada e das restantes vias circundantes. Como podem ver, é um pouco estranho, senão mesmo ridículo, que se abatam
estas árvores, visto que naquele terreno nada pode ser construído, para além do que estamos a "derrubar" a qualidade de vida de quem ali vive, visto que estas ávores serviriam de protecção natural do mais que provável movimento frenético de viaturas no futuro espaço comercial. Esta situação é de todo intolerável, ainda mais quando o país se tem comprometido com as metas do protocolo de Kyoto. DEVEMOS PROTEGER O MEIO AMBIENTE E A QUALIDADE DE VIDA DAS POPULAÇÕES E NÃO DERRUBÁ-LAS, TENDO COMO PRETEXTO UM BOM NEGÓCIO!
Mas o caricato da situação é que o Sr. Presidente da Junta de Freguesia de Vilar do Paraíso tinha um projecto de construção de um equipamento público para este terreno, que incluía a requalificação da linha de água e a criação de um jardim, apresentado aos Vilarenses em assembleia de Freguesia... Sim, é isso mesmo que estão a pensar, o Sr. Presidente tinha um projecto para um terreno que não pertence à Junta! E quando confrontado com o Dono do terreno ficou sem palavras, situação testemunhada por diversos moradores (eu incluído), atestando a incompetência deste nosso representante. Apenas a presença da GNR permitiu embargar o abate, de modo a clarificar a situação, se bem que a promessa do Dono do terreno é a de que o abate irá proseguir, pois "dentro de casa dele ele faz o que lhe apetece"...
Tudo isto é revoltante, na medida em que os interesses aqui em jogo são conciliáveis, no entanto os interesses económicos são sempre mais importantes do que qualquer outro... Por outro lado, o movimento popular que se criou não irá parar de pressionar o poder político, de modo a garantir que os nossos direitos não são atropelados.

2 comentários:

Unknown disse...

Muito bem. Só acrescentava que qualquer abate de árvores deverá ser suspenso até haver um projecto de construção concreto para o local e se verificar o que é então necessário fazer. Estar a cortar à partida para depois, eventualmente, vir a plantar parece ser uma estupidez.
Os representantes dos moradores deveriam ser ouvidos nas negociações entre o empreendedor e a câmara para a definição do projecto.

Daniela Gonçalves disse...

Não poderia estar mais de acordo com esta indignação...
Acrescento alguns pensamentos sobre este tema que interessa a todos (porque... qualquer dia é mesmo ao lado de sua casa!):
- Será que um dia, homens e mulheres deste País (até desta Europa que se designa a si própria por Europa do Conhecimento)tentam construir Cidades Educativas?
- Quando é que cada um de nós se assume como um verdadeiro cidadão e se compromete com causas, mesmo que as mesmas não o afectem...
Porque... "o que interessa não é aquilo que fizeram de nós, mas sim aquilo que nós fazemos do que fizeram de nós" Sartre.